Leasing e CDC: aprenda o que é e as diferenças entre eles

Leasing e CDC: aprenda o que é e as diferenças entre eles

Ter um veículo próprio é o sonho de muitos brasileiros, além de ser considerado um sinônimo de maior liberdade, não é mesmo? Afinal, você poderá passear e viajar para qualquer destino e momento, deixando de depender do horário do transporte público ou da disponibilidade de motoristas de aplicativo.

No entanto, nem todos possuem o dinheiro necessário para a compra de um veículo à vista, então precisam buscar as soluções de bancos e financeiras. Nesse contexto, é fundamental saber o que é leasing e CDC, as duas modalidades mais utilizadas no mercado automotivo.

Que tal aprender mais sobre o tema? Confira, neste post, o que é leasing e CDC, além das principais diferenças entre eles.

Não perca!

O que é leasing?

Em tradução para o português, a palavra inglesa leasing significa locação ou arrendamento. Trata-se de um modelo contratual bastante semelhante a uma locação, mas com a possibilidade de o locatário comprar o bem alugado, no vencimento do contrato.

Embora os primeiros relatos desse tipo de contratação sejam de 1700, a sua popularidade se deu a partir de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, o governo americano alugava equipamentos bélicos para os aliados que, posteriormente, eram devolvidos ou adquiridos.

No Brasil, os primeiros contratos com operações semelhantes surgiram a partir de 1960. Porém, a falta de regulamentação dificultou a expansão desse tipo de negócio. Uma legislação específica a respeito do leasing somente surgiu em 1974, chamada lei do arrendamento mercantil (Lei nº 6.099/74).

Além de dispor sobre as regras de funcionamento do leasing no país, a lei trata a respeito do tratamento tributário desse tipo de operação.

A norma também destaca a responsabilidade do Banco Central (Bacen) pelo controle e fiscalização das operações realizadas, devendo ainda seguir as normas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Como o leasing funciona?

Depois de compreender o conceito e a origem do leasing, o próximo passo é aprender como ele funciona. Como você viu, o arrendamento mercantil tem um funcionamento semelhante ao de um aluguel comum.

Ou seja, você pagará uma mensalidade para usar um bem (móvel ou imóvel) durante o período de vigência do contrato. Contudo, no aluguel comum, o locatário precisará devolvê-lo assim que o prazo da locação acabar, caso uma das partes não tenha o interesse de renová-lo. Já no arrendamento mercantil, é possível adquirir o bem.

Na prática, o contrato de arrendamento mercantil é formado entre o arrendador e o arrendatário. O primeiro é o dono do objeto da negociação e o segundo é aquele que o usará por um período determinado. Simples, né?

Quando o prazo do contrato acaba, o arrendatário conta com a possibilidade de comprar o objeto do contrato. De acordo com o site do Bacen, existem dois tipos de arrendamento mercantil: o financeiro e o operacional.

Saiba mais sobre cada um deles!

Leasing financeiro

Os contratos de leasing financeiro são aqueles em que o arrendatário tem o interesse de comprar o bem ao final do contrato. Por esse motivo, é comum que ele possa abater os valores que foram pagos durante a vigência do negócio, pagando apenas uma diferença residual ao final.

Nessa modalidade contratual, o prazo mínimo será de 2 anos para objetos com vida útil igual ou inferior a 5 anos, ou 3 anos para os demais bens. O prazo começa a ser contado a partir da entrega do bem ao arrendatário e termina na data de vencimento da última prestação acordada.

Embora a propriedade do bem seja do arrendador, no leasing financeiro, é comum que o arrendatário seja o responsável pelo pagamento das despesas e manutenção do objeto arrendado. Logo, como em uma locação normal, ele deverá cuidar do bem como se fosse seu, beleza?

Leasing operacional

Já o leasing operacional costuma ser realizado quando o arrendatário não tem, a princípio, a intenção de adquirir o bem arrendado ao final do contrato. Com isso, quando o contrato vence, ele tem a opção de:

  • devolver o bem;
  • prorrogar o prazo do contrato;
  • comprar o objeto arrendado pelo seu valor de mercado.

Portanto, diferentemente do leasing financeiro, o arrendatário não pagará apenas o valor residual, mas o valor de mercado do item — se ele optar por comprá-lo no fim do contrato. Em relação ao prazo nesse tipo de arrendamento mercantil, o mínimo são 90 dias.

O prazo também não poderá ultrapassar 75% da vida útil econômica estimada para o objeto da negociação. Por fim, em relação à manutenção do bem, essa pode ficar a cargo do arrendador ou do arrendatário, a depender do que for combinado entre as partes.

O que é CDC?

CDC é a sigla para crédito direto ao consumidor, um tipo de financiamento usado para a aquisição de diversos tipos de produtos e até serviços. Ele está entre as opções mais recorrentes quando o assunto é comprar um veículo, mas não se limita a isso.

Por exemplo, ao fazer um crediário para parcelar as suas compras em uma varejista, é possível que você esteja contratando exatamente um CDC. Como essa é uma modalidade disponível em diferentes empresas e instituições, as condições contratuais podem variar bastante.

É comum que o fornecimento de crédito dependa de:

  • comprovar renda ou trabalho;
  • especificar a finalidade do crédito;
  • avaliar o histórico de inadimplência, capacidade e situação financeira do solicitante;
  • considerar a quantidade e valor dos bens em nome próprio.

Vale saber que os primeiros registros desse formato de negociação se deram em 1950. Ele surgiu como uma estratégia para destravar eventual limitação financeira do consumidor e aumentar a circulação de bens e serviços.

Como o CDC funciona?

Sabendo o conceito de CDC, falta aprender como se dá o seu funcionamento, certo? Em geral, o crédito direto ao consumidor é utilizado quando você deseja adquirir um bem ou serviço, mas não dispõe de todo o capital necessário naquele momento.

Nesse sentido, o fornecedor de crédito empresta o montante para que a compra seja quitada à vista. Em troca, o tomador do crédito assume o compromisso de realizar o pagamento da quantia emprestada a prazo, com o acréscimo de juros e correção monetária.

Como você aprendeu, existem diferentes empresas e instituições que trabalham com essa modalidade de crédito.  Como resultado, as condições do negócio, o montante disponível, as taxas de juros e outros detalhes podem variar bastante entre elas.

Também é preciso saber que o CDC pode ser oferecido de diferentes maneiras, como:

Quais são as principais diferenças entre leasing e CDC?

Além de funcionarem de forma distinta, existem outras diferenças entre leasing e CDC que precisam ser conhecidas. A primeira delas diz respeito à possibilidade de antecipação do pagamento para agilizar o encerramento do contrato.

Como você conferiu, nos contratos de arrendamento mercantil, o Bacen estipula um prazo mínimo de 2 anos (no leasing financeiro) ou 90 dias (no leasing operacional). Logo, o arrendatário não teria a possibilidade de adiantar as parcelas antes desses períodos.

Já no CDC, o tomador do empréstimo poderá antecipar as prestações a vencer, obtendo desconto nos juros e correção que seriam cobrados. Inclusive, é permitido quitar a integralidade do contrato e se livrar da dívida a qualquer momento. Interessante, não é mesmo?

Outra diferença está relacionada à incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que recai apenas sobre o CDC. Considerando que o leasing não é considerado uma operação financeira efetiva, há isenção do IOF para locação e posterior aquisição de imóveis e veículos.

Quando o assunto é o financiamento veicular, há diferença quanto à documentação do objeto da negociação. No arrendamento mercantil, a documentação fica em nome do arrendador (locador), sendo transferida apenas no final do contrato — caso o arrendatário decida comprá-lo.

Vale dizer que, nesse caso, o arrendatário é responsável por pagar os custos da transferência com recursos próprios. Em contrapartida, no CDC, a documentação já sai no nome do tomador do empréstimo (comprador), sendo possível incluir esse custo no próprio contrato.

Diante dessa mecânica, os juros no CDC tendem a ser um pouco mais altos. Isso porque o fornecedor de crédito corre mais riscos e possui maior dificuldade em reaver o bem financiado nos casos de inadimplência. No arrendamento mercantil, o bem já está em nome do arrendatário, o que facilita a retomada do objeto arrendado, se houver calote.

Quais são as vantagens e desvantagens do leasing e do CDC?

Agora que você sabe as principais diferenças entre o leasing e o CDC, vale conferir quais são as suas respectivas vantagens e desvantagens. Veja só:

Leasing

Uma das principais vantagens do leasing é que não é necessário dar um valor de entrada. Ou seja, você poderá financiar o montante total do veículo. Isso pode fazer bastante diferença — principalmente para quem não tem nenhuma quantia guardada, não é mesmo?

Além disso, as taxas de juros são menores, considerando que o arrendador pode reaver o bem mais rapidamente em caso de inadimplência — em até 90 dias. A isenção de IOF também conta como uma vantagem, contribuindo para diminuir o total a ser pago.

Por outro lado, o leasing tem a desvantagem de não ser possível antecipar o pagamento de toda a dívida. Como o Bacen estipula um prazo mínimo para esse tipo de contrato, somente podem ser antecipadas as parcelas fora dele, o que não gera uma grande economia.

Outra desvantagem diz respeito aos custos de transferência do objeto do contrato, que são suportados pelo arrendatário ao final do negócio. Desse modo, você poderá ter que desembolsar seus recursos próprios para regularizar a situação do bem.

CDC

Um dos pontos que tornam o CDC vantajoso é a possibilidade de escolher o montante que será financiado. Nesse sentido, você poderá dar uma entrada maior para reduzir a quantia tomada como empréstimo, melhorando as condições contratuais — seja em relação a prazo ou juros.

Você ainda conta com a possibilidade de antecipar parcelas ou quitar o contrato a qualquer momento. Assim, é possível se programar para tentar reduzir o tempo para quitar a dívida, pagando menos juros e correção monetária.

No que se refere às desvantagens, o fato de o bem ficar em nome do tomador do empréstimo faz com que o fornecedor de crédito corra mais riscos. Nesse sentido, as taxas de juros costumam ser mais altas, podendo aumentar conforme o risco de crédito do comprador.

O fator tempo também pode ser uma desvantagem, pois contribui para aumentar o efeito dos juros. Logo, quanto maior for o prazo do empréstimo, maiores serão os juros cobrados, podendo ultrapassar o próprio valor nominal do bem.

Como escolher a melhor opção na hora de comprar um carro?

Chegando até aqui, você já aprendeu o que é leasing e CDC, mas pode restar dúvidas sobre qual escolher na hora de comprar um carro. Contudo, não há uma resposta única para esse questionamento.

Isso porque você precisará avaliar as suas condições financeiras e necessidades para optar pela modalidade que se mostre mais vantajosa para sua situação. Por exemplo, caso você não tenha nenhuma quantia reservada para dar de entrada, o leasing pode ser a opção mais adequada.

Afinal, no CDC nem sempre é possível financiar 100% do veículo e os juros serão maiores quando o montante emprestado é mais elevado. Por outro lado, se você tiver a intenção de quitar ou vender o bem antes do final do contrato, talvez o CDC faça mais sentido.

A questão dos custos de transferência do bem também deve ser considerada. No CDC, ela pode ser embutida no financiamento, facilitando o seu pagamento. No arrendamento mercantil, ela deverá ser quitada no final do contrato, muitas vezes, à vista.

O fato é que tanto o leasing quanto o CDC podem trazer vantagens e desvantagens a depender do perfil e interesse de cada pessoa. E nem toda a concessionária ou vendedor de veículos apresenta o leasing ao cliente, uma vez que há maior complexidade em esclarecê-lo.

Desse modo, se você não fizer um questionamento a respeito desse tema no momento de comprar um carro, há grandes chances de o contrato ser feito pelo CDC. Portanto, vale a pena solicitar uma simulação em ambas as modalidades para que você possa decidir qual é a mais vantajosa.

Conclusão

Com este conteúdo, você aprendeu o que é leasing e CDC. Essas modalidades apresentam diferenças relevantes, então é importante buscar a alternativa que melhor atenda às suas necessidades.

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