10 tipos de golpes com Pix e como se proteger

10 tipos de golpes com Pix e como se proteger

O Pix se tornou o meio de pagamento mais usado no Brasil, com transferências instantâneas 24 horas por dia. Essa mesma agilidade, porém, virou alvo de criminosos: em 2024, os golpes bancários geraram mais de 500 mil reclamações a bancos associados à Febraban, com destaque para fraudes via WhatsApp, falsa central de atendimento e falsas vendas. 

A boa notícia é que a maioria dos golpes com Pix segue padrões conhecidos de engenharia social, ou seja, tentativas de convencer você a autorizar uma transferência por meio de pressão, urgência ou confiança fabricada. Reconhecer esses padrões é o passo mais eficaz de proteção. 

Neste guia, reunimos os 10 principais golpes com Pix hoje, com foco em como identificar cada um e como se proteger. 

 

1. Golpe da falsa central de atendimento

É um dos golpes mais comuns no Brasil hoje. O criminoso liga ou manda mensagem se passando por funcionário do banco e alega que houve uma tentativa de fraude na conta, um cartão clonado ou um Pix suspeito. Para “resolver o problema”, ele pede senha, código de verificação ou orienta o cliente a fazer um Pix para uma suposta “conta segura” do banco. 

Golpistas também usam recursos técnicos como o spoofing, que exibe no visor do celular exatamente o número oficial da instituição, o que reforça a falsa sensação de legitimidade. 

Como se proteger: 

  • Bancos e o Digio nunca pedem senha, token, código de SMS ou transferência para “conta segura” por telefone. 
  • Ao receber uma ligação suspeita, encerre a chamada e ligue você mesmo pelo número oficial que consta no app ou no cartão. 
  • Ative alertas de movimentação no app do Digio para acompanhar transações em tempo real. 
  • Habilite a verificação em duas etapas em todos os aplicativos financeiros e de mensagens. 

 

2. Golpe do falso motoboy

Nessa fraude, o criminoso liga se passando por funcionário do banco e alega que o cartão foi clonado. Ele pede a senha “para cancelamento”, instrui você a cortar o cartão ao meio (sem cortar o chip) e informa que um motoboy irá buscá-lo em casa. Ao entregar o cartão com o chip preservado e com a senha na mão do golpista, você entrega tudo que ele precisa para fazer compras, saques e Pix. 

Como se proteger: 

  • Nenhum banco solicita a entrega do cartão físico em domicílio, sob qualquer justificativa.  
  • Nunca informe senha por telefone. 
  • Se desconfiar de clonagem, você mesmo bloqueia o cartão pelo app do Digio, sem intermediários. 
  • Ao inutilizar um cartão antigo, corte também o chip e a tarja magnética. 

 

3. Golpe da mão fantasma (acesso remoto)

Também chamado de “acesso remoto”, esse golpe começa com uma ligação da falsa central bancária. O criminoso convence a vítima a instalar um aplicativo (normalmente apresentado como “programa de segurança” ou “atualização do banco”). Na prática, é um app de acesso remoto que dá o controle do celular ao golpista, que aguarda a vítima desbloquear o aparelho para acessar o app do banco e realizar transferências Pix ou empréstimos em nome dela. 

Como se proteger: 

  • Bancos não pedem instalação de aplicativos para “resolver problemas” na conta. 
  • Baixe aplicativos apenas pelas lojas oficiais (Google Play e App Store) e sempre pelos canais divulgados pela própria instituição. 
  • Desconfie de qualquer solicitação para compartilhar tela ou informar códigos. 
  • Mantenha o sistema operacional e o aplicativo do Digio sempre atualizados. 

 

4. Golpe do falso investimento

A fraude começa com uma oferta em rede social, aplicativo de mensagem ou anúncio patrocinado, com promessa de retorno alto em curto prazo, muitas vezes atrelada a nomes de bancos, corretoras ou personalidades conhecidas. O criminoso pede um Pix inicial “para aplicar” e, na sequência, apresenta relatórios falsos com lucros para induzir novas transferências. Quando a vítima tenta sacar, descobre que o dinheiro nunca esteve investido. 

Como se proteger: 

  • Toda instituição autorizada a captar investimentos consta no site do Banco Central e da CVM. Verifique antes de aplicar. 
  • Desconfie de qualquer promessa de rentabilidade fora do padrão de mercado, especialmente quando garantem retorno. 
  • Não faça Pix para contas de pessoas físicas com base apenas em conversas de WhatsApp ou Telegram. 
  • Contas de investimento sérias nunca operam por meio de grupos privados fechados. 

 

5. Golpe do link falso (phishing)

Também chamado de “pescaria digital”, o phishing usa mensagens por SMS, e-mail, WhatsApp ou redes sociais para induzir a vítima a clicar em um link que imita a página do banco, de um e-commerce ou de um órgão público. Ao inserir dados de acesso, o criminoso captura senha, código de dupla verificação ou dados do cartão para acessar a conta e fazer Pix, compras e empréstimos. 

Também é comum receber links que instalam aplicativos maliciosos capazes de monitorar o celular e capturar informações. 

Como se proteger: 

  • Nunca acesse a área logada do Digio ou de qualquer banco a partir de um link recebido por mensagem. 
  • Digite o endereço no navegador ou abra o aplicativo oficial. 
  • Verifique se o remetente da mensagem é real: bancos não pedem cadastros por SMS ou por e-mail com urgência. 
  • Habilite a verificação em duas etapas em todos os serviços que oferecerem a opção. 

 

6. Golpe do Pix errado

Nesta modalidade, o próprio golpista envia um Pix para a sua conta e, em seguida, entra em contato dizendo que a transferência foi feita por engano e pedindo a devolução. O detalhe é que ele pede o dinheiro em outra chave ou em outro CPF, diferente do pagador original. Se você faz o Pix para essa nova chave, ele ainda pode acionar contra você o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix da transação inicial, o que faria você perder o valor duas vezes. 

O Banco Central alerta que, em situações desse tipo, o correto é verificar o extrato e, se o valor realmente estiver na conta, usar a  função de devolução do próprio Pix no aplicativo, que retorna o dinheiro para a mesma conta que fez o depósito. 

Como se proteger: 

  • Se alguém disser que enviou um Pix errado para você, confira o extrato antes de qualquer ação. 
  • Devolva apenas pela função nativa de devolução do app, nunca por uma nova chave informada por mensagem. 
  • Não confie apenas em prints de comprovantes. Comprovantes podem ser falsificados. 
  • Se ficar em dúvida, procure o Digio pelos canais oficiais. 

Já quando você é quem enviou um Pix para a pessoa errada por engano, o caminho é outro: Pix enviado para a chave errada: o que fazer para tentar recuperar 

 

7. Roubo de chave Pix

Aqui no Digio, quando você cadastra o celular ou o e-mail como chave Pix, o processo é confirmado por um código de 6 dígitos enviado para você. Esse código serve para provar que a chave é sua mesmo. 

O golpe acontece justamente nesse ponto: o criminoso solicita a vinculação da sua chave na conta dele e, na sequência, entra em contato com você fingindo ser do banco, do suporte técnico ou de uma promoção, para pedir esse código. Ao receber o número, ele passa a controlar a chave e pode receber transferências no seu lugar. 

Como se proteger: 
 

  • O Digio nunca solicita códigos, senhas ou tokens por telefone, SMS, e-mail ou aplicativos de mensagem. 
  • Trate qualquer pedido de código como suspeita de golpe, mesmo quando quem pede parecer conhecido. 
  • Consulte periodicamente quais chaves Pix estão cadastradas no seu CPF pelo Registrato, do Banco Central. O relatório mostra todas as instituições em que suas chaves estão vinculadas. 
  • Se identificar uma chave que você não reconhece, procure imediatamente a instituição responsável e o Digio pelos canais oficiais. 

 

8. Golpes com Pix no WhatsApp 

Golpe do WhatsApp roubado (sequestro de conta)  

O WhatsApp é ativado em um novo aparelho por meio de um código de 6 dígitos enviado por SMS ou ligação. O golpe acontece quando o criminoso solicita a instalação do seu WhatsApp em outro celular e liga para você fingindo ser do banco, de uma loja ou de um suporte técnico, com uma desculpa qualquer para pedir esse código. Ao passar o número, o golpista assume sua conta e começa a pedir Pix aos seus contatos. 

Como se proteger: 

  • Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp (Ajustes > Conta > Confirmação em duas etapas). Ela adiciona uma senha extra de 6 dígitos que só você conhece. 
  • Nunca compartilhe códigos recebidos por SMS, mesmo que a pessoa pareça confiável. 
  • Cadastre um e-mail de recuperação no WhatsApp para não perder o acesso à conta em caso de emergência. 
  • Desconfie de qualquer contato que peça código, mesmo por texto ou por áudio (criminosos já usam vozes clonadas por IA). 

Golpe do WhatsApp clonado (perfil falso) 

Nesse caso, o criminoso não invade o seu WhatsApp: ele cria uma conta nova em outro número, usa sua foto de perfil e o seu nome e passa a chamar seus contatos dizendo que “trocou de celular”. A conversa costuma vir com uma história urgente (uma emergência, uma conta a pagar) para pedir um Pix. 

Como se proteger: 

  • Configure a privacidade do WhatsApp: em Ajustes > Privacidade, restrinja foto do perfil, status e visto por último para “Meus contatos”. 
  • Limite o alcance de fotos e informações pessoais em redes sociais públicas. 
  • Oriente familiares e amigos a sempre ligar para o número antigo e conhecido antes de fazer qualquer Pix por mensagem, mesmo quando a foto e o nome batem. 

 
Pedido de dinheiro por parente ou amigo via WhatsApp 

Muitos golpes usam a confiança do vínculo familiar. Uma mensagem repentina pedindo Pix, com sensação de urgência (“estou sem tempo”, “meu celular quebrou”), é um dos sinais mais comuns de fraude. 

Como se proteger: 

  • Trate qualquer pedido de Pix inesperado como suspeita, mesmo quando a mensagem vem do contato salvo na agenda. 
  • Sempre confirme a solicitação por outro canal: ligue para o número que você já usa, envie uma mensagem para outra rede social ou fale pessoalmente. 
  • Combine com pessoas próximas uma palavra-código para uso em emergências reais. 

 

9. Golpe do “bug do Pix” ou promessa de dobrar o valor

Nessa fraude, o criminoso entra em contato por telefone, WhatsApp ou redes sociais dizendo que existe uma falha no Pix e que, ao fazer uma nova transferência, você receberia o dobro do valor de volta. A promessa é falsa. Após o Pix, o dinheiro simplesmente desaparece. 

Variações comuns dessa mesma lógica incluem falsas promoções de “cashback duplo”, falsos sorteios e sites que oferecem multiplicar Pix. 

Como se proteger: 

  • O Pix é um sistema estável do Banco Central. Não existe “bug” que devolva dinheiro em dobro. 
  • Desconfie sempre de promessas de retorno rápido ou vantagens fora do comum. 
  • Nunca envie um Pix a partir de instruções recebidas por mensagem ou ligação sem contato oficial. 
  • Confira o nome do beneficiário na tela antes de confirmar qualquer transferência. 

 

10. Golpe do QR Code adulterado

No Pix, o QR Code é um atalho para uma cobrança pronta: ao ler o código, você é levado direto para a tela de confirmação. Criminosos exploram esse fluxo em três variações principais: 

  1. QR Code substituído em pontos físicos, como placas de doação, adesivos em comércios, panfletos e cardápios. 
  2. QR Code em boletos falsos, com código de barras legítimo e QR Code apontando para conta criminosa. 
  3. QR Code enviado por mensagem em nome de empresas conhecidas, cobrando faturas inexistentes. 

Como se proteger: 

  • Antes de confirmar qualquer pagamento via QR Code, confira sempre o nome e o CPF/CNPJ do recebedor na tela. 
  • Em pagamentos presenciais, prefira ler o QR Code diretamente da tela do estabelecimento, não de adesivos avulsos. 
  • Ao pagar um boleto, verifique se o beneficiário exibido corresponde ao emissor esperado (banco, prestador de serviço, empresa). 
  • Desconfie de cobranças recebidas por SMS, e-mail ou WhatsApp com links ou QR Codes anexados. 

 

Sinais de alerta que se repetem em quase todos os golpes 

A maioria dos golpes com Pix depende do que se chama de engenharia social: técnicas de manipulação psicológica que levam a vítima a tomar decisões rápidas sem verificar. Fique atento quando aparecerem sinais como: 

  • Urgência artificial: frases como “resolva agora”, “sua conta será bloqueada”, “só até hoje”. 
  • Autoridade fabricada: o interlocutor se apresenta como do banco, da Receita, da Justiça ou de uma “central de segurança”. 
  • Confidencialidade: pedem que você não compartilhe com ninguém enquanto “o caso é analisado”. 
  • Vantagem incomum: promessas de retorno alto, prêmios inesperados ou “brechas do sistema”. 
  • Pedido de código ou senha: qualquer instituição séria opera sem esses dados por telefone ou mensagem. 
  • Instalação de aplicativos ou clique em links enviados durante a conversa. 

 
Quando um ou mais desses sinais aparecerem juntos, encerre o contato e valide pelo canal oficial da instituição. 

Checklist prático para se proteger de golpes com Pix 

  • Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nos apps financeiros. 
  • Nunca compartilhe códigos, tokens ou senhas por telefone, SMS ou mensagem. 
  • Confirme sempre o nome e o CPF/CNPJ do recebedor antes de confirmar um Pix. 
  • Restrinja foto e informações pessoais no WhatsApp e nas redes sociais. 
  • Baixe aplicativos apenas pelas lojas oficiais. 
  • Desconfie de ligações e mensagens que criam urgência ou oferecem vantagens fora do comum. 
  • Combine com familiares uma palavra-código para emergências. 
  • Cadastre uma chave Pix aleatória, evitando expor CPF e celular como chaves públicas. 
  • Consulte periodicamente suas chaves Pix pelo Registrato do Banco Central. 
  • Ative alertas de movimentação no app do Digio para acompanhar sua conta em tempo real. 

 

E se você cair em um golpe com Pix? 

Se você desconfia que foi vítima de fraude, procure o Digio o quanto antes pelos canais oficiais para registrar o caso e entender quais mecanismos de segurança podem ser acionados. Existe uma janela de tempo para solicitar a análise da transação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), mas o resultado depende de análise das instituições envolvidas. 

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