O que é Open Finance ?

O que é Open Finance ?

Fazendo buscas na internet sobre serviços financeiros, é provável que você tenha se deparado com termos como Open Banking e Open Finance, certo? Afinal, eles fazem parte de um projeto focado em trazer mais praticidade para a rotina dos clientes e as operações de instituições financeiras do país.

O sistema tem a proposta de integrar ainda mais a tecnologia no mercado financeiro nacional e, por meio dela, criar caminhos para o desenvolvimento do setor. Parece complicado? A verdade é que isso é bem simples e pode ser bastante útil no seu cotidiano.

Quer entender esse tema? Neste artigo, você aprenderá o que são os conceitos de Open Banking e Open Finance, como eles funcionam e qual o impacto para seu cotidiano.
Vamos lá?

O que é Open Banking?

Quando o assunto é o Open Banking, vale começar pelo significado da expressão: “sistema bancário aberto”, em tradução livre para o português. A proposta desse sistema é facilitar o compartilhamento de dados entre as instituições financeiras participantes.

Desse modo, os clientes terão mais facilidade para contratar serviços financeiros diversos. Que tal considerar um exemplo? Imagine que você queira contratar um empréstimo e busque essa opção no seu banco atual.

Porém, mesmo sendo cliente da instituição, as condições propostas não foram tão interessantes. Nesse caso, uma saída seria recorrer a outros bancos para analisar novas ofertas, concorda? No entanto, o modelo tradicional torna esse processo bastante burocrático.

Afinal, o novo banco não conhece as suas informações, já que você não é um cliente. Como resultado, é preciso apresentar diversos documentos à instituição a fim de comprovar rendimento, patrimônio e outras questões relevantes.

Para tornar essas etapas mais simples, o Open Banking foi criado a partir da seguinte ideia: os dados financeiros pertencem aos clientes — não às instituições. E, se os dados são seus, você deveria poder levá-los a qualquer lugar, certo?

A proposta do Open Banking é exatamente essa! Com ele, você pode autorizar o compartilhamento das suas informações entre diversas instituições — como os bancos — para acessar as melhores ofertas. Interessantes, não é?

Os estudos para implementação do sistema começaram em 2019 e, embora o assunto seja relativamente novo no Brasil, o Open Banking já foi adotado com sucesso em outros locais. Reino Unido, União Europeia, EUA, Austrália, Japão e Hong Kong já desenvolvem o conceito de sistema bancário aberto.

No Brasil, a responsabilidade pela implementação é do Banco Central (Bacen). O cronograma oficial do Open Banking teve início em 2021.

O que é o Open Finance?

Agora que você sabe o que é o Open Banking, fica mais fácil entender o Open Finance. Em tradução livre, ele pode ser entendido como sistema financeiro aberto.

Em um primeiro momento, ele parece igual ao Open Banking, não é mesmo? Então saiba que essa impressão é verdadeira, pois ambos compõem o mesmo projeto do Bacen. Porém, existem algumas diferenças importantes.

As semelhanças existem porque, no início do desenvolvimento do projeto, o foco era no sistema bancário brasileiro e nas organizações pertencentes a ele. É por isso que ele era chamado apenas de Open Banking.

Contudo, conforme a implementação foi avançando, o Bacen percebeu a necessidade de incluir novas soluções. Por isso, novas organizações financeiras se juntaram ao sistema, como empresas de seguros, plataformas de investimento e outras.

Nesse sentido, o Open Finance pode ser entendido como a evolução do Open Banking. A partir dele, o compartilhamento dos seus dados transacionais pode acontecer com um número maior de instituições pertencentes ao sistema.

Quais instituições participam do sistema?

Após entender o conceito de Open Banking e de Open Finance, e as diferenças entre eles, vale a pena saber quem faz parte do sistema, certo? Isso é importante porque nem todas as organizações financeiras do Brasil são obrigadas a aderir.

A associação é obrigatória para as organizações do segmento S1 e S2 do Bacen. O S1 é composto por instituições com porte de, pelo menos, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país ou que exerçam atividade internacional. Já o segmento S2 tem organizações com portes que variam entre 1% e 10% do PIB.

As demais instituições atuantes no mercado financeiro contam com a liberdade de decidir se farão ou não a adesão ao Open Finance. Porém, conforme o sistema se desenvolve, é possível que muitas delas se voluntariem para não ficarem de fora dessa tendência.

Isso acontece porque o compartilhamento dos dados transacionais só poderá acontecer entre duas instituições que fazem parte do sistema financeiro aberto. Logo, aquelas que estão de fora podem perder oportunidades com os clientes.

Como é feita a integração entre instituições?

Chegando até aqui, você já entendeu que o Open Banking e o Open Finance são sistemas criados para facilitar o compartilhamento dos seus dados entre instituições financeiras. Mas, afinal, como isso é possível?

Todo o processo de integração e compartilhamento de dados acontecem a partir das application programming interfaces (APIs). Em português, podemos chamá-las de interface de programação de aplicações.

Essa é uma tecnologia usada para permitir a troca de informações de forma padronizada em um sistema seguro. Ou seja, elas permitem que dois sistemas diferentes possam “conversar” e, consequentemente, compartilhar dados.

Vale lembrar que todo o processo só existe após a sua autorização — afinal, os dados são seus. Desse modo, as instituições não podem compartilhar as informações sem antes receber o sinal verde por parte dos clientes.

Outro ponto interessante é que você tem a liberdade de definir quais serão as informações que as instituições poderão acessar e por quanto tempo o compartilhamento ficará ativo. Dessa forma, o sistema deverá gerar mais transparência para que os clientes escolham produtos no setor financeiro.

Também é importante saber que o Open Finance não é um aplicativo nem um produto. Você estará no ambiente de uma instituição financeira (app, website ou programa de computador, por exemplo) e concederá autorização para o compartilhamento das informações que estão em outra empresa.

Como é a implementação do sistema?

Como você viu, o Open Banking e o Open Finance fazem parte do mesmo cronograma do Banco Central. Portanto, vale a pena saber como é a implementação do sistema e quem estará nele, não é mesmo?

Confira!

Primeira fase

A implementação da primeira fase do sistema financeiro aberto não envolveu diretamente os clientes. A etapa concentrou seus esforços nas instituições que fizeram a adesão ao sistema.

O foco dessa etapa era estimular as organizações participantes a padronizarem as informações dos seus serviços. Ou seja, os bancos compartilharam entre si informações relevantes sobre suas operações — como canais de atendimento e produtos ofertados.

Apesar de não haver o compartilhamento de dados dos clientes, a primeira fase já trouxe praticidades para os participantes. Afinal, com a padronização das informações, fica mais fácil comparar os serviços de cada organização.

Segunda fase

Já na segunda fase, há a permissão para compartilhar determinados dados transacionais dos clientes. Entretanto, lembre-se de que todo o processo acontecerá apenas após as instituições receberem a sua autorização, beleza?

Nessa etapa, o foco era o compartilhamento de seus dados cadastrais. Informações sobre transações em suas contas, com cartões de crédito e uso de produtos de crédito contratados entre instituições participantes também podiam estar presentes.

O principal benefício é a possibilidade de receber ofertas de produtos e serviços adequados ao seu perfil, a custos acessíveis e de forma mais ágil e segura. Ou seja, a partir da fase 2 já ficou mais fácil aproveitar a personalização dos serviços financeiros.

Terceira fase

A terceira fase do Open Finance continuou com a apresentação de novas informações disponíveis para o compartilhamento. O foco dela é agilizar ainda mais o processo de integração entre as organizações que fizeram a adesão.

Outro detalhe interessante dessa fase é que ela trouxe a possibilidade de compartilhar os serviços de iniciação de pagamentos fora do ambiente do banco. Dessa forma, os clientes podem acessar serviços como pagamentos via aplicativo de mensagens, por exemplo.

Como você pode perceber, os esforços se concentram em reduzir significativamente as burocracias características do mercado financeiro, não é? Em questão de pagamentos, a implementação do Pix pelo Bacen também facilitou o cotidiano dos clientes.

Quarta fase

A quarta e última fase de implementação do Open Finance é a integração completa do sistema. Aqui, dados sobre outros serviços financeiros passam a fazer parte do sistema bancário aberto e do dia a dia do público.

Assim, ele pode compartilhar suas informações de operações de câmbio, investimentos, seguros, Previdência Privada aberta e contas-salário. Além disso, os clientes podem acessar informações sobre as características dos produtos e serviços que desejam contratar.

A implementação da quarta fase se deu em dois momentos. No primeiro, as instituições compartilharam novamente dados entre si. Após essa etapa, houve a possibilidade de partilhar as informações dos clientes após a autorização.

Quais os benefícios do Open Finance no seu dia a dia?

Compreendeu quais são as principais características e os objetivos do Open Finance? Então agora vale a pena saber quais são os benefícios que o sistema financeiro aberto poderá trazer para o seu dia a dia.
Acompanhe!

Facilidade para comparar serviços e propostas

A principal vantagem do sistema financeiro aberto é a autonomia de compartilhamento de seus dados financeiros. Graças a ele, você pode aproveitar outro benefício para a sua rotina: a comparação entre instituições antes de abrir uma conta ou contratar um serviço.

Com o Open Finance, você poderá ver ofertas das instituições cadastradas. Também é possível fazer a comparação entre serviços e tarifas para encontrar boas ofertas para o seu perfil.

Mais controle sobre suas informações financeiras

O Open Finance concentra seus dados transacionais em único local. Desse modo, será possível visualizar suas contas bancárias, empréstimos, crédito e financiamento de instituições diferentes em um mesmo ambiente.

Assim, fica mais fácil enxergar os benefícios para sua organização financeira. Como todas as informações estarão em um único local, você poderá acompanhar as movimentações de maneira mais prática e, consequentemente, controlar melhor suas finanças.

Nova oferta de produtos e serviços

Até aqui, você já compreendeu que o Open Finance aumenta o controle sobre seus dados financeiros, não é mesmo? Além da praticidade para seu cotidiano, há outro objetivo do Bacen ao implementar a novidade: aumentar a competitividade do mercado financeiro nacional.

Para entender melhor, vale voltar ao exemplo da oferta de empréstimo que você viu acima. Ou seja, a partir do Open Finance você pode receber uma proposta personalizada de crédito sem precisar lidar com a tradicional burocracia desse mercado.

Logo, ao ter mais autonomia para decisões e controle sobre as finanças, o setor se beneficia com mais competitividade. Afinal, as organizações precisarão se diferenciar para conseguir novos clientes, não é mesmo?

Na prática, a concorrência será sadia para o desenvolvimento do mercado. Isso pode levar, por exemplo, à criação de produtos e serviços financeiros de maneira cada vez mais personalizada para o público.

Segurança para os dados

A segurança ainda é uma das principais preocupações de quem usa a tecnologia para suas transações financeiras, concorda? Afinal, há um temor constante quanto à possível ação de golpistas.

Porém, vale a pena lembrar que o Open Finance é um sistema seguro e que visa proteger ainda mais suas informações financeiras. Como você decide para quem compartilhar, será mais fácil visualizar quem tem acesso a elas.

Ademais, todo compartilhamento respeita à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Então você tem mais segurança jurídica para realizar as suas operações no sistema financeiro aberto.

Como participar do Open Banking?

Após compreender as principais vantagens que o Open Finance oferece, é preciso saber como participar dele, não é? Assim, você pode aproveitar todo o potencial desse sistema na sua rotina.

Para participar do Open Finance, basta saber se a instituição financeira que você tem conta já fez a adesão a ele. O Digio, por exemplo, está presente nesse sistema. Logo, como nosso cliente, você pode participar do sistema.

Depois de identificar que a instituição faz parte do Open Finance, você deve comunicar seu interesse em compartilhar seus dados. Afinal, como você viu, o consentimento é uma parte fundamental de todo o funcionamento do Open Finance.

Na solicitação, especifique as informações que deseja compartilhar no sistema, quais instituições poderão ter acesso aos dados e por quanto tempo as informações ficarão disponíveis. E não precisa se preocupar: você também pode interromper o compartilhamento a qualquer momento, trazendo mais segurança.

Como você acompanhou, o Open Banking e o Open Finance surgiram com o objetivo de revolucionar o mercado financeiro. Agora que você sabe como o sistema funciona, é possível aproveitar os benefícios que ele traz para suas finanças!

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