CDB: o que é e como funciona esse investimento?

CDB: o que é e como funciona esse investimento?

O certificado de depósito interbancário (CDB) é um dos títulos mais escolhidos pelos brasileiros que investem em renda fixa. Segundo levantamento da bolsa de valores brasileira (B3), 7,2 milhões de pessoas físicas investiram nessa alternativa em 2021, o que representa aumento de 18% em relação a 2020.

Com esses dados, é possível observar a grande procura por esses títulos, que costumam estar alinhados a estratégias ou perfis mais conservadores.

Se interessou pelo assunto? Então continue a leitura. Neste post, você entenderá o que é e como funciona um CDB!

Vamos lá?

O que é e como funciona um CDB?

Um certificado de depósito bancário é um título de renda fixa. Isso significa que a lógica de remuneração é conhecida pelo investidor antes de ele alocar os recursos. Assim, as aplicações dessa classe apresentam previsibilidade de rendimentos — se forem levadas até o vencimento.

O CDB é emitido por bancos e funciona como uma espécie de empréstimo do investidor para a instituição. Desse modo, quando você compra um título, está emprestando dinheiro para a entidade utilizar como ela achar melhor.

O banco pode financiar seus projetos de crescimento, pagar dívidas próprias e oferecer crédito aos seus clientes, por exemplo. Ou seja, o cartão de crédito, financiamento e empréstimo podem ser custeados pelo dinheiro levantado na venda de títulos, inclusive de CDBs.

Em troca desse empréstimo, o banco paga os juros para o investidor, que é a rentabilidade combinada. Desse modo, quando o acordo é cumprido, a instituição quita seu débito com o investidor, pagando o capital e os rendimentos apurados.

Quais são as suas principais características?

Agora que você já sabe o que é e como funciona um CDB, é interessante entender quais as principais características do título. Afinal, essas informações podem ajudar a fazer escolhas mais conscientes.

Confira!

Aporte mínimo

O aporte mínimo é o menor valor que você pode investir em uma alternativa. Ele é definido pela instituição emissora do título. Por isso, há possibilidade de encontrar aplicações mais acessíveis a partir de R$ 1, por exemplo, e outras com investimento mínimo que ultrapassem R$ 50 mil.

De modo geral, os títulos com aportes mínimos mais elevados costumam pagar rendimentos também mais altos. Essa é uma forma que o banco tem para atrair mais investimentos e capital para o seu funcionamento.

Prazo de vencimento

Como você percebeu, o prazo de vencimento é o tempo em que um título deve se manter aplicado para o banco pagar o rendimento combinado. Caso o investidor precise do dinheiro antes da data, a rentabilidade pode não ser a mesma, pois é como se fosse uma quebra de contrato, entende?

Na prática, pode ser preciso recorrer ao mercado secundário , que é quando investidores compram e vendem ativos entre si. Nesse caso, você se expõe ao preço atualizado pela marcação a mercado. Isso significa que você pode perder a rentabilidade e mesmo ter prejuízo, a depender das condições na data do resgate. Mas fique tranquilo, se o título for levado ao vencimento, tudo acontece como foi previamente acordado!

Também é válido saber que títulos com vencimento em longo prazo costumam oferecer rentabilidade maior que as aplicações de curto prazo. Porém, isso não é regra — e você deve prestar atenção na hora de investir.

Carência

A carência é o tempo que o dinheiro deve ficar investido e não pode ser resgatado. Assim, é importante observá-la e considerá-la. Afinal, se você precisar do capital antes dessa data, não poderá retirá-lo — exceto via mercado secundário.

Embora carência e vencimento sejam termos com significados distintos, não é incomum encontrar títulos em que essas datas sejam as mesmas. Ou seja, que a carência se dê no dia do vencimento. Logo, você só pode ter acesso ao dinheiro ao fim do prazo.

Vale lembrar que o prazo de carência e o vencimento são definidos pelo emissor, mas você pode checar essa informação antes mesmo de investir. Em alguns casos, é possível se desfazer do título antes da carência negociando no mercado secundário.

Liquidez

A liquidez é a facilidade e velocidade com que você pode resgatar a sua aplicação e o dinheiro se torna disponível para uso. Dessa maneira, entendê-la é fundamental para você montar uma estratégia de investimentos eficiente.

Quanto maior é a liquidez, mais rápido você pode transformar a aplicação em dinheiro. Logo, se a liquidez for baixa, não é possível ter o capital tão rapidamente assim. Por exemplo, os CDBs de liquidez diária possibilitam resgatar a quantia a qualquer momento, sendo ideais para reservas de emergência, por exemplo.

Já os CDBs com carência de 90 dias têm uma liquidez mais baixa, já que não podem ser resgatados antes desse prazo. Desse modo, a liquidez é um fator relevante na hora de alinhar os investimentos aos seus objetivos, concorda?

Quais são os tipos de CDB?

Você sabia que os CDBs não são todos iguais? Além das características que você conheceu, os títulos podem ser diferenciados de acordo com a sua forma de remuneração. Por esse motivo, vale a pena entender quais são os tipos de CDB disponíveis. Veja só!

Prefixado

O CDB prefixado apresenta uma rentabilidade fixa. Ou seja, que não se altera ao longo do tempo em que o dinheiro se mantém aplicado. Portanto, você consegue calcular exatamente a quantia que resgatará no vencimento. São exemplos desse tipo de título aqueles que rendem 7 % ao ano, 12% ao ano etc.

Pós-fixado

Já o CDB pós-fixado é aquele com rentabilidade atrelada a um índice do mercado financeiro, como a taxa Selic e o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Assim, se um CDB rende 100% do CDI, por exemplo, significa que ele paga a totalidade da taxa praticada no mercado.

Como esses indicadores flutuam conforme a economia e as regras do mercado, os rendimentos dos títulos também oscilam. Logo, se as taxas subirem, os ganhos aumentam — mas se elas caírem, os juros pagos pelos bancos aos investidores são reduzidos, ok?

Desse modo, apesar de você entender a forma de remuneração no momento da aplicação, não é possível calcular com antecedência o valor exato que será resgatado.

Híbridos

Além dos prefixados e pós-fixados, existem os títulos híbridos, que apresentam as duas rentabilidades anteriores. Logo, o rendimento é vinculado a um índice do mercado ao mesmo tempo que oferece uma taxa fixa.

Nesse caso, o indexador mais utilizado é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no Brasil. Então os títulos híbridos têm rendimento sempre acima da inflação.

Existem custos para investir em CDB?

Até aqui, você viu os tipos de CDBs. Agora é importante entender os custos para investir nesse título. Afinal, as despesas também devem ser consideradas na hora de avaliar qual aplicação vale mais a pena.

No que se refere aos custos diretos do investimento, existe a taxa de corretagem e a de custódia, que são uma porcentagem sobre o valor do rendimento. Elas se referem à remuneração da instituição que você usa para investir, mas muitas não cobram esses valores.

Porém, há outro custo que não tem como escapar: o Imposto de Renda. Essa tributação é uma porcentagem sobre os rendimentos e ocorre conforme o tempo em que o dinheiro se mantém aplicado.

A tabela de cobrança é regressiva, fazendo que o percentual cobrado sobre o rendimento funcione dessa forma:

  • até 180 dias, alíquota de 22,5% sobre o rendimento;
  • de 181 a 360 dias, 20% sobre o rendimento;
  • de 361 a 720 dias, 17,5% sobre o rendimento;
  • acima de 721 dias, 15% sobre o rendimento.

Dessa maneira, quanto mais tempo você deixa o seu dinheiro aplicado, menos Imposto de Renda deve pagar. Além disso, há outra tributação sobre os rendimentos que é importante conhecer: o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

Ele também incide de forma regressiva, mas é zerado em 30 dias. Assim, o IOF começa com 96% sobre os rendimentos no primeiro dia e diminui gradativamente conforme o tempo. Dessa maneira, se você resgatar o dinheiro depois do primeiro mês de investimento, não paga este tributo específico.

Quais as vantagens e as desvantagens desse investimento?

Após aprender mais sobre os CDBs, é importante ter claro quais são as vantagens e desvantagens desse tipo de investimento. Dessa forma, é possível colocar na balança os prós e os contras para decidir se é interessante ou não investir nesse título.
Confira a seguir!

Vantagens

A principal vantagem de um CDB é a segurança. Ela chama atenção de investidores que desejam se expor ao menor risco possível. Essa garantia acontece em duas frentes, sendo a primeira a previsibilidade de rendimentos que a renda fixa proporciona, como você já sabe.

A outra é a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa é uma entidade sem fins lucrativos que visa proteger investidores e correntistas de instituições associadas.

Isso quer dizer que, se o banco emissor do seu CDB for impossibilitado de pagar o seu título — como em caso de falência — o fundo poderá quitar o débito e os juros.

Para isso, o FGC oferece uma indenização de até R$ 250 mil por CPF e CNPJ e por instituição. Porém, há um limite global de R$ 1 milhão, renováveis a cada 4 anos.

Mais uma vantagem do CDB é a variedade de títulos com características diferentes que podem ser encontrados no mercado, sendo algumas aplicações bastante acessíveis. Dessa maneira, é possível achar investimentos para diversos objetivos.

Além disso, os rendimentos dos CDBs costumam ser maiores que o da poupança — que tende a perder rentabilidade para a inflação. Logo, os certificados de depósito bancários podem ser alternativas mais vantajosas que a caderneta.

Desvantagens

Assim como qualquer investimento, os CDBs também apresentam desvantagens. Em relação ao risco de crédito, que é quando o banco não paga o título no resgate, você já viu que existe a cobertura do FGC, certo?

Contudo, como a garantia é limitada, o investidor que aplica uma quantia maior do que a prevista ou que já recebeu o limite nos 4 anos, ainda corre risco. Nesse sentido vale procurar saber mais sobre a empresa que receberá o valor investido.

Além disso, há o risco de liquidez nos títulos que apresentam carência com prazos maiores, em alguns casos você pode ter que esperar eles acabarem para ter acesso ao dinheiro.

Também há o risco de marcação a mercado, que ocorre quando você resgata certos títulos antes do vencimento. Porém, todos esses riscos podem ser minimizados com uma estratégia de investimentos bem elaborada.

Como investir em um CDB?

Depois de aprender bastante sobre CDB, é possível que você esteja curioso para saber como investir nele. Afinal, a aplicação pode combinar com diversas estratégias de investimentos, independentemente do investidor.

Na sequência, veja o passo a passo para investir em CDB!

Identifique o seu perfil de investidor

O perfil de investidor mede o seu nível de tolerância aos riscos. Ou seja, ele ajuda a entender até que ponto é saudável arriscar, conforme a sua personalidade, comportamento e visão de investimentos. O perfil pode ser identificado por meio de um teste chamado suitability.

Nessa avaliação, você deve responder perguntas relacionadas ao seu patrimônio, objetivos, conhecimento sobre o mercado financeiro etc.

O resultado pode indicar um dos seguintes perfis de investidor:

  • conservador: se apega à segurança, mesmo que a rentabilidade não seja muito atraente;
  • moderado: prioriza a segurança, mas também arrisca parte da carteira em investimentos com maior potencial de rentabilidade;
  • arrojado: corre riscos calculados em prol de ganhos ainda maiores.

Por conta da sua segurança, os CDBs costumam ser populares entre os investidores mais conservadores. No entanto, esses títulos podem ser interessantes para perfis arrojados e moderados, pois a escolha de um investimento também depende do objetivo financeiro e pode ajudar a equilibrar os riscos da carteira.

Defina os seus objetivos financeiros

Como você viu, para montar a sua carteira é necessário considerar o perfil de investidor e os objetivos financeiros. Mas o que isso significa? Quer dizer que você também deve ponderar as metas que podem ser atingidas com o dinheiro do investimento.

Por exemplo, se você pretende viajar em 100 dias, um CDB com carência de 12 meses não estará alinhado a essa necessidade, certo? Contudo, um título com carência de 90 dias se encaixa bem no seu objetivo.

Portanto, antes de investir no certificado de depósito bancário, ou em qualquer alternativa, você deve definir seus objetivos financeiros. Isso aumenta as chances de você ter um portfólio de sucesso!

Busque pelo CDB mais alinhado ao que você quer

Depois de definir seus objetivos financeiros, é o momento de buscar pelo CDB mais alinhado às suas necessidades. Como você viu, existem diversos títulos disponíveis no mercado, só é preciso encontrá-los!

Se você busca uma alternativa interessante para deixar a sua reserva de emergência e a quantia para uso no dia a dia, por exemplo, vale a pena recorrer aos CDBs com liquidez diária. Já em outros casos, pode ser mais atrativo priorizar opções com outras regras de liquidez ou vencimentos maiores.


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