O que é Spoofing e como se proteger?
A fraude é uma prática bastante antiga na qual os criminosos usam métodos falsos para enganar pessoas e obter ganhos indevidos. Com o desenvolvimento da tecnologia, esse comportamento que antes era restrito ao mundo real passou a se estender para o ambiente virtual.
Nesse contexto, um dos golpes online mais praticados pelos criminosos é o spoofing. Esse tipo de fraude pode causar diversos impactos na sua vida pessoal e financeira. Então, é importante compreender o funcionamento desse fenômeno e mecanismos de proteção.
Pensando nisso, este artigo explicará o que é o spoofing, como esse golpe funciona e como você pode evitar maiores transtornos e prejuízos. Continue a leitura e entenda!
O que é spoofing?
O termo spoofing tem origem no verbo “spoof”, que pode ser traduzido para o português como fingir ou imitar. Ao entender essa tradução, fica mais simples compreender o que essa prática virtual significa.
Na área de tecnologia, o termo é utilizado para definir um tipo de fraude que pode ser direcionada a pessoas, sites, servidores ou serviços. Portanto, o conceito não é restrito aos ambientes domésticos e pode atingir empresas e indústrias também.
De maneira geral, o spoofing é um tipo de ataque que ocorre quando um usuário mal-intencionado acessa o endereço do e-mail e se passa por outra pessoa. Para tanto, ele realiza alterações no endereçamento para enviar mensagens à caixa de entrada de um indivíduo.
Embora seja um golpe realizado há muitos anos, a prática ganhou maior visibilidade no Brasil a partir de 2019. Naquele ano, a fraude foi usada para hackear celulares de personalidades da política. Para identificar os cibercriminosos envolvidos no ataque, a Polícia Federal realizou o processo que ficou conhecido como Operação Spoofing.
Em 2020, a tática se tornou ainda mais popular e atingiu diversas pessoas. Por isso, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo passou a alertar os usuários que hackers estavam realizando ligações do próprio número de celular do cidadão.
Nesse caso, o objetivo era clonar o telefone das pessoas e roubar dados, contas bancárias, senhas e número de cartões e contatos do aparelho. Vale destacar que, além do e-mail, podem ser usados outros meios de contato, como SMS e WhatsApp.
Exemplo de spoofing
Para entender melhor o spoofing, imagine que você recebeu um e-mail de um contato conhecido e confiável, como um amigo, familiar, empresa ou banco. Ao conferir as informações do cabeçalho, você percebeu que elas estavam aparentemente corretas.
No entanto, de alguma forma, o conteúdo da mensagem parecia estranho e suspeito. Esse alerta pode acender porque o e-mail pede para clicar em links encurtados, solicita dados sensíveis ou demanda que você forneça informações que não costumam ser do interesse desse remetente, por exemplo.
Desse modo, você pode suspeitar que se trata de um ataque spoofing. Essa é uma das formas mais comuns de ter contato com esse tipo de fraude. Porém, existem casos em que o endereço de e-mail também não está correto, facilitando a identificação do golpe.
Como esse golpe funciona?
O cibercriminoso que aplica o spoofing se passa por outra pessoa ou empresa para gerar confiança, certo? Dessa forma, ele consegue obter dados de maneira ilegal e praticar golpes.
Da mesma forma como acontece com fraudes no mundo real, como o golpe do falso sequestro (que costuma ocorrer por telefone), os criminosos virtuais utilizam disfarces, como o mascaramento de endereços, para enganar as vítimas.
Assim, eles conseguem convencê-las de fornecer dados sigilosos, realizar transações financeiras ou instalar aplicativos suspeitos. Por ser uma tática focada no disfarce dos verdadeiros intuitos, esse tipo de golpe é muito difícil de detectar. Logo, ele pode resultar em grandes prejuízos para as vítimas.
Para que o ataque seja bem-sucedido, os cibercriminosos precisam conseguir se passar por uma pessoa ou empresa de confiança da vítima. Aqui, eles simulam as suas informações de contato, como telefone ou endereço de e-mail.
A medida pode fazer com que você confie na legitimidade do contato e forneça os dados sigilosos que serão utilizados na aplicação de golpes no futuro.
Quais são os principais tipos de spoofing?
Embora o spoofing seja um golpe bastante comum por e-mail, ele não se limita a esse canal. Isso significa que a prática pode ocorrer por meio de diversos recursos, como mensagem de texto e telefone.
Veja quais são os principais canais que os cibercriminosos utilizam para atacar suas vítimas:
Spoofing de e-mail
O e-mail é a principal ferramenta utilizada para as tentativas de golpes de spoofing. Em geral, esse tipo de fraude envolve o envio de links, a solicitação de dados pessoais ou informações financeiras da vítima.
Outro ponto de atenção no spoofing de e-mail são os anexos maliciosos que os acompanham. Muitas vezes, as mensagens contêm malwares e vírus que podem afetar a segurança do seu dispositivo, como computador ou smartphone, e favorecer o acesso de hackers.
Para ter sucesso em sua abordagem, o criminoso comumente utiliza engenharia social. Essa técnica de manipulação visa explorar a falta de conhecimento do usuário ou induzi-lo a enviar dados confidenciais.
Spoofing de IP
O foco do spoofing não precisa estar, necessariamente, nos usuários. Quando o objetivo é atacar as redes, há o spoofing de IP. Nesse caso, o cibercriminoso busca obter acesso a um sistema por meio do envio de mensagens usando um IP, isto é, um protocolo de internet, falso ou disfarçado.
Desse modo, ele consegue fingir que é um usuário da mesma rede e solicita que o acesso seja concedido. Para isso, o criminoso utiliza o IP de um servidor legítimo, mas altera os cabeçalhos dos pacotes enviados.
Essa estratégia faz com que as solicitações pareçam ter vindo de um computador confiável. Ao obter o acesso, o fraudador consegue sequestrar um navegador e desviar os usuários de um site legítimo para uma página fraudulenta de aparência semelhante. Assim, ele pode coletar informações sigilosas ou aplicar golpes financeiros.
Spoofing de chamadas e SMS
O ataque spoofing também pode ser aplicado por meio do serviço de ligação, SMS ou plataformas de mensagens. Nesse contexto, ele costuma se passar por uma empresa ou banco.
De maneira geral, o spoofing de telefone se baseia na clonagem ou falsificação de identificador de chamadas para ocultar a origem verdadeira da ligação. Para aumentar as chances de serem atendidos, os criminosos fazem com que o número utilizado seja o mais semelhante possível ao telefone de uma empresa real.
Spoofing de DNS
Já o cibercriminoso que pratica o spoofing de DNS busca manipular as conexões de rede. Com uma abordagem semelhante ao spoofing de IP, ele também desvia acessos de usuários de sites legítimos para páginas falsas.
Esse tipo de ataque virtual também é conhecido como envenenamento de cache. O criminoso aproveita de determinadas vulnerabilidades presentes em servidores para fraudar nomes de domínio e desviar o tráfego real para as páginas falsas.
Quais são as diferenças entre spoofing e phishing?
Após aprofundar o seu conhecimento sobre o spoofing, vale destacar a diferença entre esse tipo de ataque virtual para o phishing. Você já ouviu falar sobre ele? Os dois golpes são similares, mas cada um deles tem um objetivo específico.
O phishing é considerado uma evolução do spoofing, e ambos podem ser compreendidos como etapas de um só processo. Isso porque o spoofing tem o objetivo de disfarçar a origem da comunicação, como mencionado, e o phishing visa obter dados sensíveis das vítimas.
Dessa forma, para potencializar o ataque, os golpes de spoofing e phishing costumam ser aplicados juntos.
O que fazer se você for vítima de spoofing?
Se você perceber que foi vítima de spoofing, é preciso saber como agir para evitar perdas financeiras ou que os criminosos utilizem suas informações para aplicar mais golpes. O primeiro passo é atualizar todas as senhas, como as de e-mail, redes sociais e de acesso ao banco.
Em seguida, informe a fraude às autoridades e empresas envolvidas, se for o caso. Você pode fazer um boletim de ocorrência e notificar o que aconteceu a todas as companhias ou pessoas envolvidas no caso. Se houve perda financeira, informe ao banco ou à administradora de cartão de crédito.
A depender do tipo de spoofing, é válido desconectar o seu dispositivo da internet até resolver o problema. Essa prática ajuda a evitar mais danos, diminuindo o risco de acessar outros sites maliciosos ou ter mais dados roubados.
Outro passo importante é escanear o seu dispositivo com um bom software para detectar vírus e outros tipos de arquivos suspeitos. Após fazer a verificação completa no sistema, remova ou coloque em quarentena os registros suspeitos.
Você também pode fazer um backup dos seus arquivos antes que eles sejam roubados ou infectados — inclusive, existem softwares para automatizar esse processo.
Por fim, não se sinta culpado porque você caiu no golpe, combinado? As abordagens utilizadas pelos criminosos estão cada vez mais modernas e pode ser difícil identificar fraudes. Para evitar novas ocorrências, identifique seus erros e esteja sempre atualizado com informações sobre golpes na internet.
Como se proteger do golpe?
Caso você ainda não tenha sido vítima de spoofing, é fundamental saber como se proteger do ataque. Se você já caiu no golpe, também é válido entender como evitá-lo na próxima vez.
Lembre-se de que os criminosos possuem diversas abordagens para conseguir invadir redes e dispositivos e se apropriar de dados sigilosos. Porém, mesmo com essa sofisticação da técnica, é possível proteger suas informações pessoais com algumas medidas de segurança.
Confira as principais dicas!
Conheça os tipos de spoofing
Ao entender como os criminosos virtuais agem, você ficará mais atento aos detalhes quando alguém entrar em contato. Além disso, você agora sabe que a comunicação fraudulenta pode ocorrer por diferentes canais, ajudando a identificar ações suspeitas.
Tenha cuidado ao compartilhar informações
Ao receber a solicitação de compartilhar seus dados pessoais, crie o hábito de ligar para o número oficial remetente para confirmar o pedido. Outra dica é não clicar em links — em vez disso, opte por digitar o endereço eletrônico de forma manual.
Ainda, antes de inserir o seu login e senha em sites, verifique novamente o endereço da página. Aproveite e certifique-se que o site utiliza um protocolo de segurança criptografado.
Vale muita atenção também se você receber um e-mail com um anexo que não estava esperando. Nesse caso, evite abrir o arquivo — especialmente se ele tiver uma extensão ou nome incomum.
Use um software antivírus
Ter um bom antivírus permite se proteger em casos de cliques em sites suspeitos ou tentativas de invasão. Alguns softwares também oferecem recursos integrados que identificam ameaças em tempo real, o que pode auxiliar na identificação de atitudes suspeitas.
Troque suas senhas periodicamente
Nomes de usuários e senhas são informações de acesso bastante usadas em golpes de spoofing. Para evitar ser vítima dessas ações, sempre utilize senhas fortes, faça atualizações de forma periódica e não use os mesmos dados para todas as suas contas.
Desconfie de mensagens suspeitas
Ao receber uma mensagem, observe o domínio oficial da organização. Tenha em mente que as empresas normalmente não usam endereços de provedores gratuitos de e-mail.
Além disso, instituições financeiras já utilizam a regra de não solicitar dados pessoais dos seus clientes por e-mail ou telefone. Portanto, sempre desconfie se receber esse tipo de pedido.
Tenha atenção também a erros de gramática, saudações estranhas e incoerências na mensagem. Essas características na escrita podem ser um sinal de que a mensagem faz parte de um golpe.
Inclusive, os criminosos costumam usar um senso forçado de urgência para conseguir o clique do usuário. Logo, desconfie de mensagens alarmantes, do tipo “sua conta será encerrada” ou “você recebeu uma multa, saiba como recorrer”.
Informe o remetente se houver suspeita de fraude
Caso você perceba algum ponto estranho em um site ou e-mail, informe a sua suspeita de tentativa de spoofing por outra via de contato. Assim, a instituição fraudada terá condições de tomar providências e evitar que outras pessoas sejam prejudicadas pelos criminosos.
Como você aprendeu, os golpes virtuais podem trazer prejuízos e prejudicar a sua vida pessoal. Por esse motivo, é fundamental ter atenção às práticas de spoofing e utilizar as dicas deste artigo para se proteger dos ataques.
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