Juros do rotativo do cartão de crédito seguem em patamar alto e acendem alerta para o bolso

Juros do rotativo do cartão de crédito seguem em patamar alto e acendem alerta para o bolso

Os juros do cartão de crédito rotativo seguem entre os mais altos do sistema financeiro. 

Em fevereiro de 2026, a taxa média do rotativo chegou a 435,9% ao ano, segundo dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central. 

No mesmo mês, os juros do cartão parcelado ficaram em 200,2% ao ano, reforçando que até alternativas dentro do próprio cartão podem pesar no bolso quando viram solução recorrente. 

A seguir, entenda por que o rotativo continua tão caro, o que mudou com o limite de cobrança em vigor desde 2024 e quais medidas ajudam a evitar que a dívida vire rotina.

Por que os juros do rotativo continuam tão altos?  

O crédito rotativo tende a ter juros elevados porque reúne duas características principais: alto risco e uso em momentos de aperto financeiro. Quando o risco aumenta, o custo do crédito geralmente sobe. 

Três fatores ajudam a explicar esse patamar: 

  • Crédito sem garantia: no rotativo, não existe um bem atrelado à dívida, como acontece em financiamentos ou empréstimos com garantia. Isso aumenta o risco de inadimplência, pressionando os juros. 
  • Uso automático e imediato: o rotativo entra em ação quando a fatura não é paga integralmente. Como isso costuma acontecer em meses mais apertados, cresce a chance de o consumidor manter saldo financiado por mais tempo. 
  • Curto prazo e migração para parcelamento: o crédito rotativo é uma linha de curtíssimo prazo. Após esse período, o saldo não pago costuma ser transferido para o parcelamento da fatura, conforme as regras em vigor. O problema é que o parcelado também pode ter juros elevados, mantendo o custo alto mesmo fora do rotativo. 

Além disso, entidades de defesa do consumidor costumam classificar taxas acima de 400% ao ano como excessivas, por dificultarem a saída do endividamento e aumentarem o risco de superendividamento. 

Novas regras do rotativo: o que mudou com o teto de 100%? 

Para tentar conter o avanço do endividamento, passou a valer em 2024 um limite para o total cobrado no crédito rotativo e no parcelamento do saldo da fatura. 

Na prática, o valor final pago em juros e encargos não pode ultrapassar 100% do valor principal da dívida. Ou seja, a dívida fica limitada ao dobro do valor originalmente devido. 

Exemplo prático: se você deixou de pagar R$ 500 da fatura e entrou no rotativo, o total de juros e encargos sobre essa dívida pode chegar, no máximo, a mais R$ 500. Assim, a dívida total não pode ultrapassar R$ 1.000. 

Essa regra funciona como um freio para impedir que o saldo cresça indefinidamente ao longo do tempo, mesmo com taxas altas. 

Por que os juros continuam tão altos mesmo com o teto? 

O teto de 100% não reduziu as taxas praticadas pelas instituições financeiras. Ele apenas limitou o crescimento total da dívida. 

Além disso, o custo do crédito segue pressionado por um cenário de juros básicos elevados. Em 2026, a taxa Selic começou o ano em 15% ao ano e foi reduzida para 14,75% ao ano em março. Esse cenário ajuda a explicar por que a queda das taxas é lenta, especialmente em linhas de maior risco, como o cartão de crédito. 

Outro ponto é a própria dinâmica do cartão: quando o cliente não consegue quitar o saldo, o rotativo dura pouco e migra rapidamente para o parcelamento, que continua sendo caro.

O cartão no orçamento: quando o rotativo deixa de ser exceção 

Para muitas famílias, o cartão de crédito ajuda a organizar despesas mensais, parcelar gastos maiores e lidar com imprevistos. O problema surge quando pagar menos que o total da fatura deixa de ser algo pontual e vira hábito. 

Com juros na casa de 435,9% ao ano, uma dívida pode crescer rapidamente. Nesse cenário, o pagamento mínimo pode trazer uma falsa sensação de alívio: a fatura é paga, mas a dívida demora muito a diminuir por causa dos encargos. 

5 dicas para fugir do rotativo do cartão de crédito 

Se o uso do cartão está ficando difícil de controlar, algumas atitudes simples ajudam a reduzir o risco de entrar no rotativo: 

1. Priorize o pagamento totalda fatura

Trate o cartão como um compromisso único do mês. Se não houver previsão de pagar o total, vale repensar a compra ou buscar outra forma de pagamento antes do vencimento. 

2. Troque uma dívida cara por outra mais barata (quando fizer sentido)

Se você percebeu que não conseguirá pagar a fatura total, não entre no rotativo. É muito mais vantajoso pegar um empréstimo pessoal com taxas bem mais baixas ao mês 

para quitar o cartão, do que aceitar juros muito mais elevados do rotativo. Assim, a dívida deixa de crescer no ritmo do rotativo. 

3. Ajuste o seu limite no app

Muitas vezes, o banco oferece um limite muito maior do que você consegue pagar. Reduzir o limite pode funcionar como medida de segurança, ajudando a manter o controle. Se o seu limite é menor, o risco de você gastar o que não tem diminui. 

4. Acompanhe os gastos em tempo real

Não espere a fatura fechar para saber quanto você gastou. Acesse o aplicativo semanalmente. Se notar que o valor já atingiu 30% da sua renda, é hora de “esconder” o cartão na gaveta até o próximo mês. 

5. Portabilidade da dívida 

A legislação também abriu espaço para a portabilidade do saldo do cartão, permitindo que o consumidor busque outra instituição com condições mais vantajosas para quitar ou parcelar a dívida. A expectativa é aumentar a concorrência e dar ao cliente mais alternativas na hora de renegociar. 

Juros altos no rotativo: informação e planejamento fazem a diferença 

Mesmo com o teto de cobrança em vigor, os juros do cartão de crédito continuam elevados e exigem atenção redobrada do consumidor. Entender como o rotativo funciona, acompanhar os gastos e buscar alternativas mais baratas são passos essenciais para evitar que uma dívida pontual vire um problema de longo prazo. 

Ficou com alguma dúvida ou precisa organizar a fatura do seu cartão Digio? Acesse nossa central de ajuda ou simule um parcelamento direto no app para manter o controle da sua vida financeira. 

Leia também: Como usar o cartão de crédito com inteligência? Confira 10 dicas 

 

 


Compartilhar o artigo