Open Finance: vale a pena compartilhar dados entre bancos?
O setor financeiro está passando por transformações significativas em razão da evolução da tecnologia. No passado, abrir uma conta bancária demandava se dirigir pessoalmente a uma agência e entregar uma série de documentos.
Hoje, com as contas digitais, a transação pode ser feita de forma segura pelo celular em poucos minutos. Uma das inovações do segmento que tem ganhado destaque é o open finance, você já conhece o conceito? A proposta é facilitar a transmissão de dados entre participantes do mercado financeiro.
Você quer saber mais sobre o assunto e se vale a pena compartilhar dados entre bancos com o open finance? Então continue a leitura!
O que é open finance?
Em tradução livre para o português, a expressão open finance significa finanças abertas. Trata-se de um movimento originado na Europa, em 2015, que busca otimizar o funcionamento do mercado financeiro.
No Brasil, ele passou a ser implementado pelo Bacen (Banco Central) a partir de 2021. A sua proposta central é possibilitar o compartilhamento de informações entre as diversas instituições que participam do mercado financeiro.
Assim, é esperado que o serviço proporcione maior dinamismo tanto aos brasileiros quanto ao mercado nacional. O conceito foi desenvolvido a partir da premissa de que os dados de um cliente pertencem a ele, e não à instituição que os mantém.
De acordo com essa visão, o consumidor deve ter total liberdade para compartilhar suas informações com outras companhias, se isso for de seu interesse. Como resultado, o open finance surgiu como um sistema para proporcionar o compartilhamento de dados.
A sua implementação contribui para que haja maior transparência no mercado. O open finance também tende a aumentar a concorrência entre empresas, bem como permite que sejam criadas novas soluções financeiras para atender às demandas dos clientes.
Afinal, eles poderão usar as informações mantidas em uma instituição para obter melhores serviços financeiros em um concorrente, por exemplo. A transmissão de dados pode ser feita sem passar pelo processo burocrático que geralmente envolve a abertura de conta.
Como esse processo funciona?
Depois de aprender o que é open finance, é válido entender mais sobre o seu funcionamento. Como você viu, a proposta por trás do conceito é poder compartilhar seus dados entre instituições de modo rápido e prático.
Por exemplo, imagine que você queira financiar um veículo e, para tanto, realize uma simulação no banco que mantém a sua conta. É comum que a instituição se valha dos dados que foram gerados ao longo do seu relacionamento com ela, certo?
É o caso do saldo na sua conta, renda estimada, uso do cartão de crédito, histórico de pagamentos, boletos pagos e dívidas, entre outros. Suponha que, ao fazer a avaliação, o banco determine uma taxa de juros mensal de 3,50%.
Agora, imagine que uma financeira especializada no fornecimento de empréstimos para compra de veículo conte com uma taxa de 1,90% ao mês, mas sujeita à análise de crédito. Sem o open finance, um caminho seria abrir uma conta nessa empresa e começar um relacionamento do zero.
A depender da situação, a falta de um histórico de crédito com a companhia pode fazer com que os juros oferecidos sejam maiores. Logo, a premissa do sistema é que você consiga transmitir as informações do seu banco diretamente para a financeira.
Dessa forma, a instituição poderá oferecer uma condição personalizada para o seu financiamento, conforme o seu perfil. Com isso, além de permitir um mercado mais competitivo, o open finance traz maior liberdade para o consumidor decidir o que é melhor para ele.
Qual a diferença entre open finance e open banking?
Outro conceito encontrado no mercado financeiro quando se fala em compartilhamento de dados é o open banking. Nesse sentido, é comum ter dúvidas se há diferença entre ele e o open finance — e qual seria.
O termo open banking pode ser traduzido como banco aberto. Como é possível deduzir a partir do nome, a sua ideia é assegurar um sistema bancário que permita o compartilhamento de informações entre instituições bancárias, desde que ele seja autorizado pelo cliente.
O ponto de destaque é que no open banking as informações são estritamente bancárias — como saldo, extrato e cartão de crédito. Ademais, elas apenas podem ser compartilhadas entre bancos.
Já a proposta do open finance é abranger outros participantes do sistema financeiro, como financeiras, seguradoras, fintechs, cooperativas de crédito, entre outras. Também há a possibilidade de compartilhar informações sobre investimentos, seguros e Previdência Privada.
Vale a pena compartilhar dados entre bancos?
Sabendo as diferenças entre open finance e open banking, é comum se perguntar se vale a pena compartilhar dados entre bancos. Esse é um tema que levanta reflexões sobre as vantagens e os desafios que essa prática envolve.
Saiba mais sobre esses pontos!
Vantagens
A implementação do open finance tende a trazer vantagens para os consumidores, sendo interessante conhecê-las. Um dos primeiros benefícios proporcionados é a visão integrada e completa de suas finanças pessoais.
O acesso permite ter uma melhor compreensão do cenário financeiro em que você se encontra, facilitando a tomada de decisões. Ademais, o compartilhamento de dados entre bancos pode propiciar ofertas mais customizadas e adequadas às demandas específicas de cada cliente.
Ao ter acesso a um conjunto mais amplo de dados financeiros, as instituições podem desenvolver produtos e serviços personalizados. Isso porque elas terão conhecimento sobre como a concorrência opera e poderão criar produtos para aumentar sua competitividade.
Agindo assim, a tendência é que o consumidor tenha uma experiência financeira mais satisfatória e direcionada. Ou seja, suas chances de encontrar um serviço que se enquadre nas suas expectativas e necessidades serão maiores.
O open finance também oferece mais autonomia para os consumidores. Eles são os donos dos seus dados transacionais e podem escolher quem pode acessá-los ou não. Então caberá a cada pessoa comparar e decidir com quais instituições financeiras querem se relacionar.
Além disso, é possível autorizar ou cancelar o acesso dos seus dados por outras companhias a qualquer momento. Por fim, a implementação do open finance traz mais transparência para o sistema financeiro nacional.
Como os dados são transmitidos diretamente entre as organizações que participam do sistema, há menos risco de falsificação. Logo, com a capacidade de verificar os dados compartilhados de forma detalhada, os clientes se tornam os protetores ativos de sua privacidade.
Desafios
A confiança dos consumidores no compartilhamento de dados está intimamente relacionada à segurança e à proteção de suas informações pessoais. Afinal, muito se sabe sobre os danos que podem ser causados a partir do vazamento de dados pessoais.
Por essa razão, um dos principais desafios enfrentados pelo open finance é se apresentar como um sistema seguro e capaz de proteger as informações. Nesse contexto, o Bacen assumiu o compromisso de prover a segurança tanto para consumidores quanto para as empresas.
As companhias que participam do open finance também precisam seguir as diretrizes presentes na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Essa norma estabelece os direitos e deveres dos titulares e dos controladores dos dados, assegurando proteção jurídica para os envolvidos.
No entanto, é essencial tratar a questão da segurança de forma preventiva. Portanto, o compartilhamento de dados entre bancos deve ser realizado de modo responsável. Outro ponto é acompanhar e revisitar as autorizações dadas às instituições periodicamente.
Isso traz uma camada adicional de proteção, uma vez que somente as empresas confiáveis e alinhadas com os interesses do consumidor manterão acesso aos dados compartilhados. Nesse contexto, todos deverão contribuir para a proteção e funcionamento do sistema.
Como fazer esse compartilhamento de forma segura?
Após conferir as principais vantagens que fazem do open finance um mecanismo benéfico para o consumidor, é comum ter interesse na solução. Afinal, ainda que existam desafios, a ferramenta se torna bastante atrativa, não é mesmo?
Nesse sentido, é importante saber como fazer o compartilhamento de forma segura. Como você aprendeu, garantir a proteção no compartilhamento de dados é uma responsabilidade compartilhada entre os usuários e as instituições financeiras envolvidas.
Um dos passos essenciais para alcançar esse objetivo é escolher cuidadosamente as companhias com as quais se pretende compartilhar informações financeiras. Optar por aquelas que adotam protocolos rigorosos de segurança é indispensável.
Isso inclui a implementação de tecnologias avançadas, como a criptografia de ponta a ponta. Ela codifica as informações durante a transmissão, tornando-as praticamente inacessíveis para qualquer pessoa não autorizada.
Ademais, a utilização de autenticação multifatorial também é relevante. Por meio dela, é necessário passar por múltiplos métodos de verificação de identidade para acessar um sistema, representando uma camada adicional de proteção no momento de compartilhar os dados.
Além das medidas tecnológicas, é recomendável que os usuários revisem e compreendam as políticas de privacidade de cada instituição envolvida. A análise é crucial para garantir que as práticas adotadas estejam alinhadas com os mais altos padrões de proteção de dados.
Outro ponto é escolher instituições transparentes e comprometidas com a proteção adequada dos dados do usuário. O cuidado é fundamental para a construção de uma base sólida de confiança no ambiente do open finance.
A abordagem proativa deve ser combinada com a conscientização contínua dos usuários sobre práticas de segurança online. Dessa maneira, ela contribui para um compartilhamento de dados seguro e confiável no mercado financeiro.
Conclusão
Ao chegar até aqui você viu o que é open finance, como ele funciona e se o seu uso vale a pena. Porém, para aumentar a sua segurança, é válido selecionar com cuidado as instituições que poderão acessar seus dados. Então dê preferência àquelas que investem em proteção e transparência.
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